Um caráter emocional diferenciado.
Um caráter emocional diferenciado.
CONJUGAÇÃO
Acrílico, vinil, LED e sensor de presença em caixa de madeira.
Formato de 72x52x10cm. Rio, 2025.
O trabalho é composto por três caixas com uma placa de acrílico na frente. Em cada placa uma palavra vazada no acrílico: BRIGA, PRENDE, TRAI.
Com a chegada de um espectador, luzes de led localizadas dentro da caixa são acionadas por um sensor de presença na parte de baixo da obra. Permanecem acesas por 10 segundos e voltam a se apagar. Tempo suficiente para que as letras A e R adesivadas no verso do acrílico sejam notadas.
A curiosidade em relação a essas palavras é de elas serem impositivas de forma negativa, porém acrescentando-se um A no início e um R no final passam a ter uma conotação oposta. Ao se aproximar da obra o interlocutor recebe um feedback amistoso apesar de ter sido induzido a agir agressivamente à primeira vista.
Outro fato interessante é que não há outras palavras que se prestam a esse propósito e ABRIGAR, APRENDER, ATRAIR são modelos das três conjugações de verbos da língua portuguesa.
Num momento conturbado pela intolerância social e política causado pelo mal uso das redes sociais, aumento da violência nas cidades no mesmo instante em que o planeta atravessa uma fase de mudanças climáticas intensas, quando tudo ao redor parece contribuir para te estressar ainda mais, é sugerido que façamos uma pausa, uma respiração.
E para que isso aconteça basta uma aproximação e essa obra nos dá o AR que nos falta para invertermos o nosso posicionamento diante do estado das coisas com três palavras que se apresentam de modo afetivo.
GRAVITAR
Técnica mista. Diâmetro de 47x87cm. Rio, 2022.
Um pequeno truque faz objeto circular do interior flutuar.
Se a gravidade nos atrai para o centro da Terra, a existência nos atrai para o útero, cuja principal função é gerar a vida. Nos atrai para dentro de nós mesmos, para unir os pedaços.
MATE
16 peões com 8 cm de altura, feitos de braúna (madeira preta) e 16 balas de metralhadora .50 com 13,8 cm de altura, (tamanho original), feitas de pau-marfim (madeira clara), sobre tabuleiro de xadrez composto de pau-brasil (madeira avermelhada) e caixeta (madeira clara). Formato: 51,2x51,2x16cm. Rio, 2021.
TAMBOR
Tambor de maracatu no formato de um tambor de revólver,
com o tamanho de um surdo de primeira.
63cm de circunferência x 64cm de altura. Rio, 2019.
BALA PERDIDA
Tinta automotiva, tinta acrílica,
Formica e cimento sobre madeira.
40x40x160cm. Rio, 2017.
ÁLVAROS
Acrílico e vinil sobre madeira.
52x72x10cm. Rio, 2022.
Quadros construídos a partir de imagens coletadas
na internet, usadas como alvos para estandes de tiro.
ÁLVARO
Tinta automotiva, tinta esmalte, Formica e vinil sobre madeira.
60x120x25cm. Rio, 2019.
MESTIÇO
Cedro nativo do Brasil e pinho norueguês. Esmalte sintético,
acrílica e verniz automotivo. 39x33x10cm. Rio, 2021.
Este trabalho tem um significado imenso pra mim. Ele foi feito em 1981, na minha adolescência e durante esse tempo todo ficou desmontado
e guardado em um canto. Um dia eu resolvi reformá-lo (era madeira crua). Aonde está o pinho era pinho de riga, mas eu perdi as peças. A solução foi esse pinho norueguês. Interessante é que se virarmos a obra de cabeça pra baixo, temos outra face por trás.
SÃO SEBASTIÃO CRIVADO
Metal, tinta automotiva e corda de nylon.
520x96x13cm. Rio, 2016.
II MOSTRA RIO DE ESCULTURAS MONUMENTAIS
De 23 de julho a 30 de outubro de 2016
Praça Paris - Glória - Rio de Janeiro - RJ
Título pinçado de um verso da música Estação Derradeira, de Chico Buarque. Assim como o padroeiro da cidade, o Rio de Janeiro, está flechado. Ainda sobre flechas, no sincretismo religioso, São Sebastião é representado por Oxóssi, caçador de uma flecha só. E foi nessa região, em 20 de janeiro de 1567 (dia de São Sebastião), que os franceses foram expulsos do Brasil na famosa Batalha de Uruçumirim (local onde se encontra hoje o Outeiro da Glória). Estácio de Sá, que fundou a cidade do Rio de Janeiro apenas dois anos antes,
foi flechado no olho por um índio tupinambá e veio a falecer um mês depois.
• Única obra que ficou na praça até 2020
• Fotos: Fedoca Vernieri